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filhosÉ certo que não existe receita para criar bem os filhos. Procurar entendê-los e dar a eles a opção do que é correto e errado perante a família e a sociedade parece ser um dos ofícios mais difíceis enfrentados pelos pais atualmente.

“Tire a mão daí, menino!”, “Você não vai!” Quem nunca ouviu uma dessas frases? Criar limites precisa ser uma atitude feita com carinho e responsabilidade para que haja respeito entre quem impõe e quem obedece.

De acordo com o psicólogo Marcelo de Aguiar, ao dizer “não” aos filhos, os pais devem  falar com firmeza, mas ao mesmo tempo com amor para não chocá-los. “As crianças e os adolescentes precisam entender que o seu comportamento é inaceitável, e não eles”, disse.

O psicólogo completou que, às vezes, a criança estabelece uma relação entre fazer algo ruim e ser uma pessoa má e que quando os pais agem com fúria ou escândalo essa distorção se acentua.

Não é não?
Obedecer com consciência é sinônimo de boa educação. Segundo Marcelo, para que os filhos respeitem os limites impostos por seus pais é preciso que as proibições sejam esclarecidas. “É sempre bom que o ‘não’ seja explicado e os seus motivos apresentados. Contudo, não é indispensável que as razões sejam aceitas. Afinal, é uma questão de autoridade”, afirmou.

O psicólogo defende que quando a família não apresenta razões ou mostra incoerência nos limites impostos, ela sai da dimensão da autoridade e entra no campo do autoritarismo. Essa atitude faz com que os filhos percam a iniciativa, a autoconfiança e o respeito por seus pais. “O autoritarismo impõe regras sem explicações, coerência e amor”, completou.

Marcelo disse ainda que, diante disso, é preciso ter cuidado para não deixar a corda frouxa demais. “Não devemos ter medo de colocar limites e passarmos por autoritários. Os filhos precisam ter regras para que respeitem os seus parentes e as outras pessoas. Por mais que eles não gostem, os limites são necessários à sobrevivência e à realização do cidadão, lembrou.”

Os limites precisam ser claros e justos
Como ensinar uma criança a não mentir? De acordo com o psicólogo, a melhor forma é sempre dizer a verdade. Ele afirma que dar exemplo é uma questão de coerência. “Os limites precisam ser claros e justos. Não estabeleça normas que valem para uns e não para outros, ou que se aplicam em algumas situações e em outras não”, aconselhou.

Começar a ensinar o que é correto, desde cedo, pode ser a saída para o controle futuro. Marcelo de Aguiar relatou que para lidar com a personalidade dos jovens e adolescentes é preciso, primeiro, entender a das crianças. Pais que não colocaram limites na primeira fase terão uma maior dificuldade em fazê-lo na segunda etapa.

O psicólogo ressaltou, ainda, que o adolescente e o jovem demandam maior diálogo e proximidade e que alguns pais não perdem o controle sobre os seus filhos, na verdade eles nunca o tiveram. Segundo ele, por vivermos numa cultura que despreza os limites e a autoridade, ao contrário de décadas atrás, é necessário que a família tenha um cuidado maior ao lidar com os mais novos, que estão na fase de aprender a viver.

“É natural que os jovens e adolescentes testem os limites, pois isso faz parte do processo de amadurecimento e independência. Contudo, constitui um grande problema do mundo moderno. Por isso, o diálogo é muito importante em qualquer relação”, afirmou Marcelo.

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Os tempos mudaram
A sociedade atual se apresenta avessa aos limites e à autoridade, talvez indo para o oposto de uma situação vivida em outros tempos. Diante disso, é preciso educar os menores com a verdade do mundo de hoje, sem máscaras, mas com todo carinho e equilíbrio para não assustá-los.

“Para explicar o mundo aos pequenos, é preciso sempre usar as palavras deles, e não dar mais informação do que eles estão interessados em receber. O que nós podemos dizer é que existem coisas boas e ruins, certas e erradas, e que é preciso selecionar”, ensinou o psicólogo.

Marcelo contou que há uma tendência, no mundo moderno, em tratar as crianças como pequenos adultos, e isso pode ser prejudicial. Ele explica que toda criança quer crescer logo – a menina deseja usar os sapatos da mãe, o menino quer se sentar no colo do pai e ajudá-lo a dirigir o carro –, mas se o limite não for imposto, ela ficará exposta e o seu desenvolvimento prejudicado. “A cultura pode favorecer ou não o estabelecimento dos limites, mas os pais sempre terão como fazer a diferença. Eles são as principais influências na vida de seus filhos”, frisou.

Saudades do tempo da vovó?
Se compararmos as crianças, adolescentes e jovens, do mundo de hoje com os de outras épocas, perceberemos que os limites mudaram. Uma das grandes falhas na comunicação das famílias ocorre quando um pai ou uma mãe diz aos filhos:

“Quando eu tinha a sua idade...”.  
O psicólogo fez a ressalva que quando esses adultos eram  crianças, o mundo era totalmente diferente do contemporâneo. “Não é possível se refugiar nesse argumento. Você tem que fazer melhor do que isso”, advertiu.

Segundo Marcelo, antigamente era mais fácil controlar os filhos porque a sociedade prezava mais a autoridade e a manutenção do “status quo”, ou seja, de seus princípios,  mas que isso não significa que as situações eram melhores.

“Não podemos nos deixar levar pelo saudosismo. Filhos precisam de carinho e de limite, que são os dois lados de uma mesma moeda, a qual chamo de amor. Em outros tempos, a cultura não favorecia as demonstrações de carinho, e hoje, talvez ela não estimule o estabelecimento de limites. Mas todo momento histórico tem suas contribuições positivas e negativas. Precisamos conhecê-las e lidar com elas com sabedoria”, incentivou.

Blog, internet e orkut, liberar ou não?
Os aparatos tecnológicos típicos do mundo moderno são muitos. A internet, os programas da TV a cabo, blogs e os sites de relacionamento, se não forem bem utilizados, podem se tornar altamente prejudiciais à saúde mental e até mesmo à integridade física das crianças, adolescentes e jovens.

De acordo com Marcelo de Aguiar, para impor limites ao uso dessas ferramentas, os pais precisam conhecê-las, pelo menos um pouco, pois caso contrário o diálogo em casa ficará prejudicado. “É indispensável ter interesse por aquilo que desperta a curiosidade dos filhos para que se possa influir de maneira mais positiva no controle, e não simplesmente se afastar”, disse.

De acordo com o psicólogo, o acesso a determinados tipos de sites, o cuidado quanto ao uso de chats e o tempo gasto à frente do computador e da televisão, precisam ser administrados, bem como o uso do telefone. Respeite as fases dos seus filhos Sabe aquela menininha que você pegava no colo esses dias? Pois é, ela cresceu e já está na faculdade. E agora? Será que o mesmo “não” que servia para ela nos tempos do colégio vai prevalecer?

Marcelo contou que de acordo com pesquisas realizadas por um psicólogo chamado Eric Erickson, as fases da vida colocam novos dilemas a serem tratados e que a superação dessas questões prepara a pessoa para a fase seguinte. Quando uma etapa não é vivida integralmente, o indivíduo pode partir para a próxima sem o preparo necessário, ou carregar questões psicológicas mal-resolvidas. Diante disso, concluiu-se que é importante viver cada fase muito bem, sem pressa, com estímulo e segurança.

Se o pai acompanha bem de perto todas as etapas da vida de seus filhos, conseqüentemente não irá se assustar com as novidades que enfrentará durante o desenvolvimento e amadurecimento deles. Com a base formada no decorrer do jogo da vida ficará difícil perder o controle e o respeito nessas alturas do campeonato, não é mesmo?!

Se a sua “princesinha” cresceu e já está namorando, a solução é enfrentar a questão e não encrencar desnecessariamente. Afinal de contas, um dia isso ia acontecer. De acordo com o psicólogo, “todo pai precisa escolher as suas lutas. Se brigar por tudo, acabará não sendo obedecido em determinado momento, e com isso sairá desmoralizado”, comentou O segredo é não criar atritos por motivos irrelevantes, mas permanecer firme naquilo que acredita ser fundamental. O ilho aceitará este “não”, porque ele verá que o pai estabeleceu critérios e não é intransigente.

Recompensar ou punir
Para Marcelo, as recompensas funcionam melhor do que os castigos. Ele exemplificou ao dizer que é muito mais produtivo elogiar um comportamento adequado do que criticar um inadequado. Segundo ele, muitos pais falham nesse aspecto. Entretanto, quando um prêmio é dado por um determinado comportamento e o ilho faz algo apenas para alcançá-lo, essa criança ou adolescente não aprendeu nada com a experiência. “Isso não é educar, é deseducar. Todas as pessoas têm os seus deveres e direitos. Os pais têm a tarefa de ensinar isso aos seus descendentes,” defendeu.

Quanto à desobediência aos limites, o psicólogo afirmou que deve haver algum tipo de sanção ao desrespeito, mas que é preciso tratar essa questão com muito cuidado. Em primeiro lugar, certificando-se de que a regra é justa e de que ela foi estabelecida com clareza (inclusive as possíveis punições).

Verificar se os limites foram estabelecidos com autoridade, e não com autoritarismo e depois saber se a sanção é proporcional à infração. Para finalizar, ele disse que é importante jamais esquecer de que não se pode apenas apontar os erros dos filhos, mas é preciso reconhecer e valorizar os seus acertos.

 

 

 

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