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peixeA difilobotriose, também conhecida como a doença da  tênia do peixe, é uma infecção intestinal causada pelo cestódeo do gênero Diphyllobothrium, cuja espécie mais comum é o Diphyllobothrium latum. O indivíduo adquire a infecção ao alimentar-se de carne crua ou mal cozida contendo o estágio infeccioso do parasita de alguns tipos de peixes típicos de água doce, ou que migram durante a reprodução, como o salmão e a truta.


O parasita é encontrado em lagos e deltas de regiões da Escandinávia, Rússia, Japão, Europa, Chile e América do Norte, países caracterizados como endêmicos, por apresentarem prevalência superior a 2 % em suas populações locais.


Há relatos de casos no Brasil, principalmente em pacientes estrangeiros, provenientes de locais com maior incidência. O primeiro caso ocorrido no país foi registrado na cidade de Porto Alegre (RS), no ano de 2004, após uma pessoa consumir peixes crus em viagem ao exterior.


Com o aumento do consumo desse tipo de carne em forma de sushis, sashimis e na versão peixe defumado cru, o tema torna-se relevante. É importante ressaltar que a presença de casos “importados” por ingestão de peixe fora do país ou pelo consumo local de peixe importado pode introduzir o parasita em áreas até então não atingidas.


O ciclo de vida do Diphyllobothrium latum conta com a ajuda do homem e de mamíferos marinhos, que são hospedeiros defi nitivos. Os ovos imaturos são eliminados nas fezes humanas e de mamíferos infectados, que em contato com a água doce liberam os caracídios. Quando ingeridos por pequenos crustáceos, ocorre o desenvolvimento da larva procercóide. Os crustáceos são ingeridos por peixes, havendo a transformação da larva procercóide em plerocercóide, que prolifera no organismo do peixe. O homem ingere a carne do peixe contaminado. O parasita se desenvolve no intestino delgado e leva de três a seis semanas para atingir a fase adulta, podendo sobreviver por 30 anos ou mais. O verme pode chegar a medir até mais de 10 metros de comprimento e, quando eliminado nas fezes, perpetua o ciclo biológico.


Na maioria dos pacientes, a infecção pelo Diphyllobothrium latum é assintomática, com queixas inespecíficas de astenia, vertigem, avidez por sal, diarréia e desconforto abdominal. Alguns pacientes podem apresentar vômitos, fortes dores abdominais e perda de peso.

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Entre os diversos exames para o estabelecimento do diagnóstico está o parasitológico de fezes (EPF), onde são detectados ovos operculados, castanho-amarelados, medindo cerca de 45x65 micrômetros, característicos do parasita. O tratamento pode ser feito com Praziquantel, na dose única de 10 mg/kg, para todas as faixas etárias.

Para o combate à doença, recomenda-se que, principalmente, os proprietários de restaurantes, bares e similares façam a inspeção visual do peixe comercializado e, em casos de impossibilidade de cozimento do produto a 56º C, por 5 minutos, solicita-se o congelamento a 20ºC pelo período de sete dias, ou ainda a 35ºC por 15 horas. Essas medidas tornam inviáveis os mecanismos de manutenção do ciclo de vida do parasita, possibilitando assim o consumo da carne crua sem riscos de infecção.

 

 

 

 

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