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É sabido que uma alimentação rica em verduras, frutas e legumes faz bem à saúde. Porém, o uso de agrotóxicos nos produtos que chegam à mesa tem preocupado uma boa parcela da população, levando-a a questionar os reais benefícios desses alimentos.
Por esta e outras novas posturas dos consumidores, a alimentação orgânica tem ganhado espaço. Seus produtos são livres de pesticidas, sementes geneticamente modificadas e fertilizantes químicos. Além disso, o seu sistema de cultivo observa as leis da natureza e o equilíbrio ecológico. Todo o manejo dessas lavouras é fi rmado no respeito e na preservação ao meio ambiente.
“Os alimentos orgânicos surgiram entre as décadas de 20 e 30, mas só cresceram em qualidade, quantidade e diversidade no fi nal dos anos 80, quando os impactos na saúde dos consumidores e no meio ambiente passaram a ser vistos com mais cuidado”, comenta o nutricionista Gabriel Rasseli.
Além de legumes, frutas e verduras, o modelo orgânico também pode ser adaptado às carnes e seus derivados. Os animais são criados com rações adequadas, não ficam confi nados e são tratados com homeopatia. Dessa forma, o cardápio fica completo. Os alimentos orgânicos se tornaram amigos daqueles que desejam ter mais vitalidade e longevidade. Atualmente, o Brasil ocupa a 34ª posição no ranking mundial dos países exportadores desses tipos de produtos, sendo que na última década houve um crescimento de 50% nas vendas anuais.
Calcula-se que, em todo o país, o número de hectares cultivados já chegue perto dos 100 mil, em cerca de 4.500 unidades de produção orgânica. A maior parte desse cultivo (cerca de 70%) encontra-se nos estados do Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Popularidade
“Uma alimentação orgânica pode trazer grandes benefícios à saúde, já que é isenta de substâncias químicas que estimulam o desenvolvimento de doenças, como o câncer, por exemplo. Além disso, melhora o estado nutricional das pessoas”, afirma Gabriel Rasseli. Apesar de terem se tornado mais populares com o passar dos anos, esses alimentos nem sempre podem compor 100% das refeições da população, devido ao seu preço um pouco mais elevado que o dos produtos convencionais, e à oferta, ainda limitada frente à demanda.
Saúde à mesa O sócio-proprietário do Restaurante Sol da Terra, Daniel Ortiz, conta que sua família prima pela saúde e bem-estar alimentando-se somente com produtos orgânicos. Com o objetivo de partilhar esses benefícios com outras pessoas, eles dão o exemplo e comandam um restaurante que utiliza como matéria-prima para os seus cardápios apenas produtos cultivados naturalmente.

“Optamos sempre
por produtos livres de aditivos que prejudicam a saúde. Quem faz uso de alimentos orgânicos tem garantia de mais qualidade de vida no presente e no futuro. Dentre os inúmeros benefícios que eles trazem, destaco o bom funcionamento do intestino, que resulta em uma aparência melhor para a pele e os cabelos”, disse. Daniel Ortiz conta que, além de proporcionar vantagens à saúde, os pratos ficam ainda mais apetitosos quando preparados com esses alimentos, o que pesa na relação custo/benefício.
O empresário revela que para ter os orgânicos sempre nas mesas de casa e do restaurante, ele dá preferência àqueles que estão em alta, de acordo com a época. “Usamos a criatividade e inovamos compondo cardápios variados com as frutas, legumes e verduras que estão em grande oferta no mercado. Muitas vezes o que encarece os alimentos orgânicos são os desvios que acontecem até que eles cheguem ao consumidor. Quando comprados diretamente do produtor, eles certamente têm um valor mais em conta”, esclarece.
O nutricionista Gabriel Rasseli ressalta que é importante expor a periculosidade do consumo de alimentos carregados de pesticidas e substâncias tóxicas em geral. “A sociedade precisa conhecer o que está ingerindo. Muitas pesquisas mostram o mal que certas substâncias aplicadas nas lavouras fazem ao organismo humano”, alerta.

Outro fator importante que ele destaca é o tamanho das frutas, legumes e verduras, pois muitas vezes o consumidor é levado pelas aparências e rejeita o aspecto menos atraente dos produtos orgânicos. Porém, o nutricionista afi rma que eles não deixam a desejar. “Na verdade, os alimentos orgânicos não são pequenos. Os convencionais é que são grandes, pois no seu cultivo são utilizados produtos químicos que fazem com que eles absorvam um maior teor de água, o que infl uencia no tamanho”, revela.
A alimentação orgânica favorece também um processo de purifiicação do organismo. Essa desintoxicação leva a uma melhora de problemas hepáticos e gastrointestinais gerados pelos produtos químicos e outras substâncias artifi ciais contidas nos alimentos comuns.
O consumidor poderá se certifi car que determinado produto é realmente orgânico verifi cando os selos de origem, fornecidos por entidades competentes, que inspecionam as etapas da produção e a qualidade dos alimentos com muito rigor.
No Brasil, as principais certificações são da Associação dos Agricultores Orgânicos (AAO); Associação dos Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro (ABIO); Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região (ANC); Coolmeia Cooperativa Ecológica; Instituto Biodinâmico (IBD) e Fundação Mokiti Okada (MOA).
Saiba mais O conceito de agricultura orgânica O conceito de agricultura orgânica surgiu com o inglês Sir Albert Howard, entre os anos de 1925 e 1930. Ele trabalhou e pesquisou durante muito tempo na Índia e ressaltava a importância da utilização da matéria orgânica e da manutenção da vtalidade do solo. Esse tipo de agricultura exclui o uso de fertilizantes químicos de alta solubilidade, agrotóxicos, reguladores de crescimento e aditivos para a alimentação animal compostos sinteticamente.
O cultivo orgânico é baseado no uso de estercos animais; rotação de culturas; adubação verde (prática agrícola de se incorporar ao solo a massa verde ou vegetal, não decomposta, de plantas cultivadas, com a finalidade de enriquecê-lo com matéria orgânica e elementos minerais); compostagem (processo de preparação de adubo orgânico que provém de todos os resíduos da propriedade agrícola, reunidos e preparados sob condições controladas) e controle biológico de pragas e doenças - que é o combate às doenças das lavouras feito com elementos da própria natureza (insetos e plantas), sem o uso de pesticidas.
As vantagens A não-exposição a agentes químicos nocivos à saúde e o melhor aproveitamento de nutrientes são benefícios conhecidos dos alimentos orgânicos. Além disso, os produtos têm uma maior durabilidade; mais fi bras e menor teor de nitrato (produto potencialmente cancerígeno), entre outras vantagens. Algumas frutas ainda apresentam maior firmeza e mais suco. Análises de laboratório comprovam que os alimentos orgânicos podem ter cinco vezes mais nutrientes do que os produzidos na forma convencional, o que instiga ainda mais o consumo.
Apesar de serem cultivados sem pesticidas e outras substâncias prejudiciais à saúde, as frutas, legumes e verduras orgânics também precisam ser bem limpos antes do consumo, pois mesmo assim não estão livres da presença de microorganismos.
“Para uma higienização correta dos alimentos, basta lava-los em água corrente tratada e, logo em seguida, mergulhá-los em uma solução contendo um litro de água e uma colher de sopa de água sanitária, deixando-os de molho por 15 minutos. Após esse tempo, retire-os e passe-os novamente em água corrente tratada”, ensina o nutricionista.
Serviço: Restaurante Sol da Terra Endereço: Rua Barão de Monjardim, nº 171, Centro, Vitória - Tel.: (27) 3223 1205

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