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Marcelo de Miranda tira as dúvidas sobre cálculo renal, uma doença silenciosa que atinge cerca de 10% da população brasileira.
“Geralmente, a doença renal é silenciosa, mas existem casos em que o paciente apresenta dores em baixo do abdômen, sangramento na urina, febre, vômitos e infecção urinária. É importante procurar um nefrologista. Infelizmente, muitas pessoas têm cálculo renal e nem sabem, por falta de acesso ao serviço de saúde.”
O que são cálculos renais ou pedras nos rins? A formação de cálculos renais é um complexo fenômeno físico-químico que resulta na agregação de cristais (pedrinhas) dissolvidos na urina por excesso ou pela falta de utilidade. Muitos acreditam que isso acontece porque a pessoa expele pela urina grandes quantidades de sais de cálcio, ácido úrico, fosfatos, oxalatos, cistina e, eventualmente, outras substâncias como penicilina e diuréticos. Em algumas condições, a urina ficaria saturada desses cristais. Assim, como conseqüência, os cálculos seriam formados. Contudo, a teoria mais aceita atualmente é de que os cálculos renais apareçam por causas genéticas. Mas a falta de líquido no organismo pode gerar uma predisposição e quem tem alguma anomalia renal, como o estreitamento de algum canal, também pode vir a desenvolver as pedras. Comer semente de tomate, beber leite ou ainda ingerir “pedrinhas” do feijão não causa a doença. Isso é mito.
Como eles ocorrem? Os cálculos começam pequenos e podem crescer ou não com o passar do tempo. Existem pessoas que tem uma pedra pequena e sentem muitas dores, precisam operar imediatamente e acabam perdendo o rim. Em outros casos, onde os pacientes apresentam um cálculo renal grande, não sentem sintoma algum, operam e resolvem o problema. Muitas vezes uma pedra de menor tamanho tira a função dos rins em um mês, e uma “gigante” não causa nada. Descobrir o porquê é um grande desafi o da Medicina.
“Observe a urina. Se ela estiver clara, por certo o organismo está bem hidratado e o ciclo urinário está funcionando bem. Urina da cor amarela escura pode significar algum problema.”
Quais os sintomas dos cálculos e de outras doenças renais? Geralmente, a doença renal é silenciosa, mas existem casos que o paciente apresenta dores em baixo do abdômen, sangramento na urina, febre, vômitos e infecção urinária. É importante procurar um nefrologista. Infelizmente, muitas pessoas têm cálculo renal e nem sabem, por falta de acesso ao serviço de saúde.
Quais as principais complicações? Quando existe uma demora na descoberta do cálculo, muitas vezes podem acontecer quadros de infecção urinária, perda do rim por destruição obstrutiva ou infecciosa, insufi ciência renal crônica, hipertensão arterial, complicações cirúrgicas nas retiradas dos cálculos, entre outros. É preciso, sempre que possível, visitar um especialista e estar atento aos sintomas.
Como tratar? Existem diversos tratamentos, como a técnica mais antiga de abrir a barriga, que é usada atualmente em 1% dos casos. Há também a litotripsia extracorpórea, uma máquina que dá batidinhas por fora do corpo, próximo ao local, até fragmentar o cálculo. Outra novidade no mercado é a cirurgia a laser, que é minimamente invasiva, o que destrói cálculos renais de diferentes tamanhos e em diversas localizações. O método poderá indicar o método mais apropriado para cada caso.

Grupo de risco: Quem pode desenvolver cálculos renais > Diabéticos > Hipertensos > Obesos > Pessoas com histórico familiar de doença renal ou diabetes e hipertensão > Pacientes com outras doenças nos rins
É possível evitar novos cálculos? Varia de acordo com a genética do paciente e seu estilo de vida, não há precisão. Já atendi casos de pessoas que operam e precisam repetir o procedimento para retirar um novo cálculo um mês depois da primeira cirurgia e outros pacientes que operam uma vez, por alguma anomalia do rim, e jamais voltam a desenvolver pedras.
O problema só acaba com cirurgia? Quando o cálculo renal é de até 0,5 mm, em 80% dos casos ele é expelido naturalmente. Acima deste tamanho, geralmente, é preciso fazer uma cirurgia por métodos extracorpóreos, endoscópicos ou de litotripsia para a retirada, pois a chance de sair sozinho é muito pequena.
Quem tem cálculos renais precisa fazer alguma dieta alimentar especial? A pessoa que não que tem problemas nos rins, sejam os cálculos renais ou qualquer outro, precisa ter uma alimentação equilibrada, pobre em proteína animal e sal, e tomar bastante líquido, pelo menos três litros de água por dia.
Como saber se os rins estão funcionando bem? Observe a urina. Se ela estiver clara, por certo o organismo está bem hidratado e o ciclo urinário está funcionando bem. Urina da cor amarela escura pode significar algum problema.
Fatores que podem gerar cálculos renais > Herança genética, idade, sexo, cor, ambiente, tipo de dieta > Anormalidades urinárias (saturada de sais, volume diminuído e alterações do pH) > Ausência de fatores inibidores da formação de cálculos (citrato, magnésio, pirofosfato, glicosaminoglicans, nefrocalcina, proteína de Tam Horsfall) > Alterações metabólicas (calcemia, calciúria, uricemia, uricosúria, oxalúria, cistinúria, citratúria, hipomagnesúria) > Alterações anatômicas e urodinâmicas > Infecções urinárias
Quais as outras doenças que atingem os rins e suas principais causas? Além dos cálculos renais, ou pedras nos rins, as principais patologias são diabetes e a pressão alta, pois se elas não forem tratadas de maneira correta poderão levar à falência total do funcionamento desses órgãos, fazendo o paciente necessitar de diálise ou, até mesmo, de um transplante. Infelizmente, algumas pessoas quando apresentam sintomas já estão com os rins totalmente paralisados. É preciso estar alerta! Fazer um check-up periodicamente ajuda a evitar o quadro, pois a maior parte das doenças renais são assintomáticas.
Descobrir os problemas nos rins e tratar, logo de início, pode ajudar e evitar complicações? Com certeza. Quando os problemas renais são descobertos logo no começo podemos tratar mais rapidamente, preservando os rins e evitando prejuízos maiores a saúde.
Quais os grupos de pessoas que possuem mais predisposição a ter problemas renais? A maior incidência ocorre na faixa etária entre 20 a 50 anos, com uma leve predominância no sexo masculino.
Existe alguma outra patologia renal que acomete as pessoas com freqüência? As pessoas desenvolvem, com muita freqüência, os cistos renais. Essa doença não necessita de tratamento, mas de acompanhamento, pois em poucos casos pode haver variações que os tornam malignos. Essa patologia também é assintomática e, quando o paciente se queixa de um incômodo, o quadro já está grave. Por isso, é preciso visitar sempre um especialista para fazer exames simples como o ultra-som, que ajuda a verifi car o funcionamento dos órgãos e detectar as doenças logo no início, tornando-as mais fáceis de tratar.
O Raio X dos Rins no Brasil > 2 milhões de brasileiros sofrem de doenças renais e cerca de 60% não sabem que precisam fazer hemodiálise. > Dos 120 mil brasileiros que precisam fazer hemodiálise, apenas 70 mil estão em tratamento. > Em 2006, a hemodiálise consumiu R$ 2 bilhões da verba da saúde. > 47% dos pacientes em diálise estão na fila do transplante renal. > 25% dos pacientes em diálise são diabéticos. > Estima-se que, em 2010, o número de pacientes diálise no Brasil seja de 125 mil. Fonte: www.portaldovoluntario.org.br
Serviço: Instituto de Urologia do Espírito Santo Endereço: Rua Hélio Marconi, nº 71, Bento Ferreira - Vitória - ES Telefone: (27) 3183-2222
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