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Quem nunca ouviu falar de uma criança que tenha ingerido água sanitária em garrafa de refrigerante por ter se confundido? É preciso ficar de olho e ter bom senso no momento de guardar alguns produtos em casa. Os casos de intoxicação, principalmente entre os mais novos, são muito comuns e podem levar à morte.
De acordo com os dados do Centro de Atendimento Toxicológico do Espírito Santo (Toxcen), as ocorrências acontecem, em maior parte, de forma acidental com crianças de 1 a 4 anos. Elas manifestam-se após uma simples exposição ou mesmo ingestão de determinada substância com potencial tóxico.
O que NÃO fazer em caso de intoxicação: • Usar garrote (serve para conter hemorragias em um membro que sofreu lesão) • Passar substâncias no local atingido • Ingerir bebidas alcoólicas
A coordenadora do Toxcen, Sony Itho, contou que as crianças são as maiores vítimas de envenenamento por produtos de uso domiciliar, como medicamentos, detergentes, soda cáustica, desinfetantes, naftalina, plantas e raticidas.
Segundo a especialista, isso ocorre porque os pequenos são mais curiosos, colocam tudo na boca e, principalmente, encontram essas substâncias em locais de fácil acesso. Além disso, muitas vezes a família desconhece a periculosidade de determinado produto.
“Se o pai engana o fi lho na hora de tomar remédio dizendo que é bala, pode ser que num momento em que a criança esteja sozinha ela faça uso desse medicamento de forma incorreta”, exemplifi cou a médica.
Já os casos de intoxicação entre os adultos, na faixa etária entre 20 e 39 anos, são em sua maioria intencionais, ou seja, ocorrem por tentativa de suicídio. Os mais velhos podem estar sujeitos a envenenamento por uso de produtos químicos, cosméticos, medicamentos, agrotóxicos, entre outros.
Sony alertou que a automedicação também é uma vilã neste contexto e que é preciso estar atento à validade do remédio a ser ingerido e seguir corretamente a indicação de quantidade receitada pelo médico.
“Os prejuízos causados à saúde decorrentes de uma intoxicação variam conforme o produto com o qual a vítima teve contato e com a agilidade do atendimento prestado. A pessoa poderá ter problemas como taquicardia, convulsão, sonolência, urticária, vômito, diarréia ou até mesmo chegar ao óbito”, disse.
Por isso, é preciso estar sempre alerta para não colocar a vida em risco.
Identifique um caso de intoxicação Os sintomas de intoxicação são variados. Por isso, de acordo com Sony Itho, a melhor forma de identifi cá-los é por meio da observação. “Se a criança sai para brincar e volta para casa muito calada, vomitando, com sono fora de hora, choro sem causa aparente, hálito diferente, entre outros sintomas, ela pode ter tido contato com alguma substância tóxica”, alertou. Queimaduras, salivação excessiva ou espuma pela boca também são indícios de intoxicação.
A especialista frisou que, em caso de suspeita ou confi rmação de um quadro de intoxicação, algumas atitudes, como fazer a pessoa beber leite, devem ser evitadas. Segundo ela, ao contrário do que muitos pensam, esse produto não é antídoto, mas apenas um alimento. Portanto não serve para combater veneno.
Sony disse, ainda, que procedimentos como dar tapinhas nas costas e induzir o vômito não resolvem o problema. “Em caso de intoxicação, retire os restos de produtos da boca ou da pele da vítima, lave o local com água corrente e procure, rapidamente, um Centro de Atendimento Toxicológico, que ajudará na identifi cação do envenenamento e no encaminhamento ao atendimento especializado”.
Previna-se contra: • Acidentes por medicamentos – Os medicamentos devem ficar guardados longe do alcance das crianças e de pessoas com problemas mentais. Não dê vidros contendo remédios para uma criança brincar. No momento de usar o medicamento, confira a dose e não dispense o medidor dos líquidos. Não guarde as sobras, principalmente dos antibióticos, que têm um prazo curto de validade após serem abertos. Os produtos com aspecto envelhecido ou contendo rótulo ilegível devem ser sempre desprezados.
• Acidentes domésticos – Mantenha os produtos domésticos como cloro, detergentes, xampus, amaciantes de roupa, entre outros, fora do alcance das crianças e guarde-os sempre nas embalagens originais. Jamais acondicione-os em caixinhas ou garrafas de alimentos e bebidas.
• Acidentes por plantas – Eduque o seu filho a apreciar as plantas sem tocá-las. Não cultive plantas comprovadamente tóxicas no jardim ou dentro de residências. Não faça nem utilize remédios caseiros à base de plantas sem orientação médica. Não use talos de plantas desconhecidas para fazer brinquedos ou apitos.
Orientações para acompanhantes de idosos e defi cientes psiquiátricos • Atenção na hora de dar os medicamentos. Confira bem os nomes nas embalagens; • Siga sempre as instruções contidas no rótulo ou na bula dos produtos; • Mantenha os medicamentos fora do alcance deles; • Só dê remédio recomendado pelo médico e controle a quantidade.
Animais peçonhentos atacam mais no verão Em períodos de forte calor, aumenta a incidência de envenenamento por animais peçonhentos como serpentes, aranhas, escorpiões, entre outros. Por isso, a atenção deve ser redobrada. De acordo com o Toxcen, os acidentes crescem a cada ano. Somente no primeiro semestre de 2008, os números subiram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Isso ocorre porque em épocas de altas temperaturas esses bichos elevam as suas atividades e saem de seus abrigos em busca de alimentos, o que facilita o contato com esses animais, principalmente das pessoas que trabalham em áreas rurais.
Um dos maiores responsáveis pelos casos de envenenamento são os escorpiões. De 2007 para 2008, os acidentes com esses aracnídeos tiveram um aumento de quase 50% somente no primeiro semestre. Os últimos seis óbitos registrados nesse período foram causados por eles, mas as serpentes continuam como as primeiras da lista de envenenamento.
Segundo a coordenadora do Toxcen, Sony Itho, grande parte dos animais ataca quando se sente em risco. “Com algumas exceções, os escorpiões, aranhas, serpentes e insetos venenosos não possuem natureza agressiva. Eles só se manifestam quando ameaçados”, afirmou.
Ela lembrou a periculosidade de outros animais como abelhas, marimbondos, lagartas e lacraias, também responsáveis por muitas notifi cações, e ressaltou a importância do socorro adequado e imediato à vitima para que o quadro de envenenamento não se agrave.

Conheça o TOXCEN Há 16 anos, o Centro de Atendimento Toxicológico do Espírito Santo (Toxcen) atua na orientação da sociedade quanto ao uso adequado de substâncias, a fim de evitar exposições e intoxicações.
Sediado nas dependências do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, o Toxcen é vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e funciona em regime de plantão, com atendimento telefônico e presencial 24 horas por dia durante todo o ano.
A equipe é formada por um coordenador-médico; seis médicos plantonistas; um enfermeiro; dois psicólogos; pessoal administrativo; motorista; estagiários acadêmicos de Enfermagem, Medicina e Farmácia. Além do trabalho de conscientização e atendimento às vítimas de intoxicação, o Toxcen ainda presta serviços de avaliação dos processos para cadastros de agrotóxicos no Estado, realiza treinamentos voltados para os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede privada, favorecendo a melhoria no atendimento dos intoxicados. O repasse dos números e informações técnicas obtidas pela entidade ajuda a reduzir os índices de mortalidade, principalmente entre adultos, quando nas intoxicações intencionais (suicidas), e morbidade entre crianças em maior faixa de risco.
Serviço: Endereço: Alameda Mary Ubirajara, 205 - Praia do Canto - Vitória - ES E-mail:
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Acesse o site: www.saude.es.gov.br/serviços/intoxicacoes Em caso de suspeita de intoxicação ligue para o Toxcen: 0800 283 9904. Atendimento 24 horas.
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